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domingo, 16 de julho de 2017

Nas costas, minhas escolhas

É bem provável que você já ouviu falar nessa expressão: "carregar o mundo nas costas". E, os significados podem ir além do conteúdo subjetivo da  frase. Porque carregar oportuniza escolher  entre o peso e a leveza; o antigo e o novo.
 O que você está carregando nas costas?
Já pensou sobre isso?



Passeando pelas ruas de Montparnasse ressalta aos olhos uma peça linda toda em couro, estilosa, monocromática e elegante. Aquela para ser carregada nas costas. Estava ali na vitrine pedindo para ser levada. E, sem muito esforço a compra foi efetuada.




- Linda, não é ?
- Ela é muito diferente!
-Gosto de coisas bonitas! 
 
 
Mas...preciso dela? Talvez, não! Claro que precisar de uma mochila nova, não  precisaria! 
Mas, o desejo da aquisição do novo é maior do que a necessidade. Não demora muito vem um consentimento interno que com o " eu mereço " resolveu rapidamente qualquer dúvida , caso ainda existisse. 
Feliz com a nova pequena mala, para ser carregada nas costas, a caminhada continua pelas
 ruas de Paris.



Essa vivência me fez refletir sobre as escolhas que fazemos. Pela vida afora vamos juntando coisas, sentimentos e emoções. E, ao longo do tempo também vão ficando velhas, desgastadas, ultrapassadas ou pesadas. Ou, simplesmente se faz necessário vivenciar novas experiências, abraçar novos sentimentos ou sentir o novo bater em nosso peito, pois afinal já não somos mais os mesmos de tempos atrás. O que fez sentido lá, pode não mais fazer sentido aqui e agora. O mais importante nisso tudo é ter a clareza e a oportunidade de escolher sempre. Experimentar  e optar pelo hábito do desapego pode fazer muita diferença em nossa vida.
É verdade que isso virou moda. Desapegar-se é politicamente correto nos dias de hoje. Mas, venha cá...desapegar-se de sentimentos, sonhos e emoções cravados no coração,
 ahhhh! isso não é tão fácil assim!
Com o tempo vamos aprendendo a ser mais seletivos com nossas escolhas. Já fica bem mais fácil deixar para atrás o que não nos serve, o que não combina com nossos objetivos de vida e com sonhos a serem realizados.

Então, vamos ao bom senso: malas velhas, sem alças e sem rodinhas...descarte, já !
 Tudo o que passou e nada de bom ficou não vale guardar...Fica apenas a experiência e a aprendizagem.
Precisamos de malas novas, modernas e leves para acomodar o que ficou de bom das escolhas passadas e ir colocando momentos novos que nos enriquecem, nos aquecem, nos fazem sentir vivos e mais felizes.


Ah! Eu insisti para comprares uma mala nova?! 
Seguramente irás precisar dela para colocar novas e lindas escolhas!
 
 
 
 
" Sou apego pelo que vale a pena e
desapego pelo que não quer valer".
-Clarice Lispector-
 
 






sábado, 27 de maio de 2017

O pão nosso de cada dia


Dai-nos hoje e sempre!


" É estimado que o pão tenha surgido há 12 mil anos, na Mesopotâmia, juntamente com o cultivo do trigo. Era feito de farinha misturada com o fruto do carvalho. Os primeiros pães eram achatados, duros, secos e muito amargos." (wikipedia)


" Atualmente, o pão é o alimento mais popular do mundo, sendo produzido em quase todas as sociedades. Entretanto, ele não foi feito sempre da mesma forma e nem teve sempre o mesmo aspecto. Ao longo do tempo, sua produção foi se alterando até chegar ao que nós temos nos dias de hoje." (Tales Pinto).


Mesmo sabendo, através da história, que o pão chegou a ser um dos motivos de eclosão da Revolução Francesa e que a severa queda na produção do cereal tornou o alimento caro e escasso, fato que levou a população francesa a se revoltar e contribuir fortemente para a queda do rei Luís XVI, ouso atualizar o tempo e apresentar para vocês essa eclosão de aroma e sabor, bem ali...em Rio dos Cedros, na Região dos Lagos, em nossa Santa e bela Catarina.


O método rústico traz em si a personalidade em seu tempo, da tradição, do natural tal qual na época de nossos avós. Talvez muitos de vocês remeterão seus pensamentos para a ida até a casa da família que morava no " interior". O forno a lenha, muitas vezes construído de forma improvisada no rancho que ficava atrás ou ao lado, da casa principal. Gosto de olhar os detalhes dessa foto, feita por mim, porque a singeleza me emociona. E, as lembranças chegam. Remetem-me aos tempos em que minha mãe fazia pães, num forno muito parecido com esse. E, deixava-nos fazer pequenos pãezinhos em forminhas, que eram tampas de latas...e querem saber? aquilo era a maior das alegrias que ela poderia nos dar!


" A poesia é sempre um ato de paz. O poeta nasce da paz como o pão nasce da farinha."
(Pablo Neruda)
 
Acordar cedo para amassar o pão, vê-lo crescer e transformá-lo no poder de saciar a fome e provocar prazer é um ato de paz cheio de poesia. Os encantos da vida estão nas pequenas coisas.
São poetas aqueles que fazem o pão nosso de cada dia!
 

 
Olhem bem para essa beleza!
Fechem os olhos e sintam o cheirinho do pão fresco saído do forno.
Isso é poético!
Dos deuses!
 

                                   " No caso de todos os outros sentidos, pensamos antes de reagir,
                     mas no caso do olfato, o cérebro reage antes de pensarmos." ( Lindstrom)



Como ficar na cama até muito tarde, quando lá fora esse visual está todinho pronto para o dia começar?! Todos os finais de semana o convite é feito e ele aceita: acorda cedinho, abre as janelas da casa, molha as plantas e começa a preparar o café da manhã. Sim! Isso é com ele. Estou falando de Ricardo.  Prepara tudo, da arrumação da mesa `a salada de fruta, que não sei como consegue, mas é uma obra de arte a forma como pica todas as frutas...do mesmo tamanho! Diz que é a terapia dele. Acredito!

Naquela manhã, resolvi acompanhá-lo. Acordei cedinho, levantei e dei uma de assistente do preparador oficial do café da manhã. Pouca coisa para fazer porque já estava tudo pronto.
Próxima missão: comprar pão! " Vou te levar na fonte", disse ele.

O visual que nos acompanhou até a " padaria" era esse acima. E, no caminho foi me contando peculiaridades da região e dos alimentos frescos que consomem a cada final de semana, quando sobem a serra.

"E, aí está a fonte! Chegamos!"
Nem precisava me dizer...o cheirinho inconfundível já tinha tomado conta de mim!


Dedico essa postagem, cheia de aromas e lembranças, aos meus primos,
Ricardo e Cianne. por tão linda acolhida naquele final de semana e por tantas vivências
 que tocaram o essencial do meu coração.
 
Sim! Ele faz o café da manhã e busca o pão na fonte todos os finais de semana!
Au revoir!


 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O improvável acontece


Fazer uma caminhada pelas areias da praia, com um céu azul,  é mesmo grande privilégio. Reconheço. Além de fazer bem para o corpo, a alma também agradece.

Essa rotina matinal é o encontro mais lindo e simples com o eu interior, que vai conversando com a gente, a cada passo, num diálogo de fazer inveja a jornalistas entrevistadores daquela emissora do  plim plim.

Dessa vez, levei uma carteirinha com dinheiro e cartão de crédito para aproveitar e depois passar no supermercado. Coisa que dificilmente faço. Gosto de sair sem lenço e sem documento...

Caminhei uns 2 km para lá e 2km para retornar ao ponto de partida. Os pensamentos foram tão longe que a carteira caiu de minha mão e nem percebi. O susto foi grande quando...cadê?Perdi pelo caminho onde centenas de pessoas também estavam passando.
 Num ímpeto desesperado voltei pela praia com os olhos fixos na areia com a crença de que iria recuperá-la. Ledo engano. Nada!

Fui perguntando...parando nos quiosques...nada!
Claro! Como encontrar o improvável? Uma pequena carteira com dinheiro, cartão de crédito...

Voltando um tanto desolada e já aceitando a realidade: cancelar cartão e da próxima vez cuidar mais.
Porém, ainda tinha um sentimento dentro de mim que poderia encontrá-la largada em algum canto. E, mais...veio a pergunta que não silenciava: para que isso aconteceu? O que essa perda tentava me mostrar? Se procuro ser  honesta, com princípios tão bons deixados por meus pais e praticados através de minhas vivências, ajudando sempre que possível,  aqueles que precisam de mim!

E, larguei no universo: " paciência, acredito que como sou do bem...também existem pessoas do bem que poderão me devolver o que perdi...mesmo sendo improvável.

Continuei caminhando em direção a minha casa. E, não sei como meus olhos foram atraídos para as mãos de uma pessoa. Uauuuu... lá estava ela: a minha carteirinha. Foi quando disse: oi, você achou minha carteirinha? E, ela num sorriso todo feliz me entrega dizendo que já havia deixado mensagem e número de telefone para que eu entrasse em contato.



Foi nessa hora que me arrepiei ( de verdade) e disse: " ainda tem muita gente boa nesse mundo". Pessoas honestas e cuidadosas com o próximo querendo para ele o que deseja para si. Em dias tão conturbados, por tanta falta de honestidade e desrespeito ao que é do alheio,  esse episódio foi como um bálsamo para reforçar a beleza de seres humanos com princípios e valores sintonizados com o bem. Eles existem, sim!

Leonita Prestes Tarosso,  um lindo ser humano, exemplo para muitos. Obrigada por seu gesto e pela frase que deixou no meu celular, como mensagem: " Só fiz o que todos deveriam fazer".


          " Do jeito que o mundo anda, ser honesto é ( igual) a ser escolhido entre dez mil"
                                                                                                William Shakespeare

                                                   O improvável acontece, sim!

                             



 

sábado, 13 de maio de 2017

Açúcar que vale ouro


Brilhantes são os olhos de uma mãe quando fala em seus filhos. É como uma fábrica de doçuras comandada pelo padeiro mais experiente e competente. Ou, pelo mais amador de todos que vai tentando acertar o ponto da massa do bolo para encantar paladares. A confeitaria é inaugurada ao receber o alvará positivo, que abre a porta do coração. Logo em seguida começam os preparativos para que a Padaria Brilhante produza o melhor de todos os doces: seu filho. Mês a mês cada ingrediente é escolhido para o acerto final. Do primeiro ao nono mês sempre uma olhadinha cuidadosa porque o resultado deverá ser perfeito. Se, por acaso algo não ficar no ponto...sem problemas...porque para o olhar de uma doce padeira, o final ( que será o grande começo) será sempre o mais perfeito, o mais lindo e o mais amado.


Filhos são como lindos bolos, cheios de doçuras que colorem o  mundo feitos arco-íris.



Os filhos serão sempre como soldadinhos de chumbo, corajosos e competentes que poderão explorar o mundo. E, a mãe orgulhosa diz: " esse(a) é o meu garoto (a)"!


Para uma mãe os filhos não crescem e serão suas eternas crianças...porque ela quer se fazer necessária pela vida afora.



                                                       Eles serão as cerejas do bolo...


         Não importa se estão lá, acolá ou aqui...estarão sempre bem perto porque o lugar deles é  dentro do coração dela, eternamente! " E a doçura é tanta que faz insuportável cócega na alma..."
                                                                  Clarice Lispector



                               Filhos valem ouro. Fazem a gente se render por querer, sem reclamações. Porque a doçura deles vicia, com aquele sabor de quero mais...sempre mais. É aquele açúcar orgânico da melhor qualidade...quase um mel puro. Açúcar que vale ouro.


                              Filhos...
                              " Fizeste-me ver a claridade do mundo e a possibilidade da alegria.
                                 Tornaste-me indestrutível, porque, graças a ti, não termino em mim mesmo."
                                                                                                  Pablo Neruda



Fotos feitas por mim-Dubai (2016)
www.brilliantbakery.com

 

domingo, 30 de abril de 2017

Mudanças

Depois de uma longa viagem, chego em meu apartamento. A expectativa era a mais simples possível que uma mortal poderia desejar naquela hora da madrugada: banho e cama. Finalmente retorno ao ninho e  alegre de estar naquele lugar pra se chamar de meu.



Fui entrando arrastando a mala porque o cansaço era grande. Mas, para minha surpresa visitinhas indesejáveis me esperavam formando um comitê de recepção, em cada ambiente por onde eu ia adentrando. Mal podia acreditar quando vi tamanha invasão e o estrago que fizeram como hóspedes, por trinta dias. E, nem pagaram o aluguel. Sem pedir licença, foram tomando conta de tudo. Desolada, larguei minha mala, andei por todos os cômodos como uma " barata tonta" procurando um lugar, na minha casa, em que eu pudesse dormir.



Decisão tomada: chegaaaa! Assim, não dá mais pra continuar: serão eles ou eu.
Claro, que nessa altura da vida só poderia me escolher. Chegou a hora da operação " Fora Cupins"!
Sim! Invasão de cupins por todo o apartamento.

A quantidade dos bichinhos, asinhas, larvinhas e formiguinhas que se juntaram para tomar conta do meu espaço era assustador. Em outros verões também tinha acontecido, mas como dessa vez, nunca!

Primeiramente, mandar embora todos os móveis onde eles já faziam moradia por longa data. Não teve produto capaz de exterminá-los. Portas, quadros, cadeiras também foram descartadas. E, a reforma que parecia pequena durou dois meses. Quebra, faz, desfaz, arruma, limpa, suja, limpa, suja, limpa...

Reforma é assim: uma coisa puxa a outra. Se de um lado foi trabalhoso, irritante, desconfortável e oneroso; por outro, chegou a satisfação, o conforto e a alegria de ter enfrentado tamanha mexida geral. Literalmente, ter saído da acomodação para poder chegar o novo.



Talvez o recado que fica dessa vivência seja exatamente esse...desacomodar para dar espaço às mudanças que a vida pode trazer com a esperança de ser melhor. Mudança é uma questão de decisão interior. Fácil ou difícil? Depende de cada um. Porém, percebi que escolhas só chegam quando algo perturba pra valer.

                                                                                                        Voilà



 

domingo, 23 de abril de 2017

Potinho de Mel de Lavanda

Faz tempo que escrevi e publiquei uma postagem aqui. Hoje, ao olhar a data,  nem quis acreditar: julho de 2016. Ao mesmo tempo, foi um período de afastamento necessário. Porque escrever por escrever é algo que não sei fazer...precisa sair da alma, com entusiasmo e vibração. E, vivenciei momentos tão delicados que minha alma  pedia que me aquietasse. Ela me confidenciava que alma sentida não tem vigor para externar pensamentos vibrantes. Uma grande amiga, uma irmã do coração deu adeus para todos nós e foi aromatizar o céu com suas lindas lavandas. Foi um despertar para o meu recolhimento.


Mas, a vida vai se pondo, ela não para. É bom olhar pra ela com esperança. A coragem de ir em frente pode vir de um sorriso que acolhe, de uma gratidão que se aflora ou de um sentimento de missão cumprida oferecendo o seu melhor para os que estão ao seu lado. Viver hoje como se não houvesse o amanhã, como dizia o poeta.  Hora de expansão da alma.


Assim como a vida vai, ela também vem. É um movimento no compasso do coração e nesse vai e vem nos damos conta que o universo é mesmo preciso e muito generoso. Sem muito avisar envia uma flecha açucarada que contamina a gente com a doçura de sorrisos fáceis e babões. Como descrever a chegada da primeira neta? Impossível...porque o amor transborda e a emoção tira os pés do chão. Tornam-se pezinhos de bailarina, que dançam no ar. Flutuando...

                                                              
 Ela chega nesse momento de expansão da minha alma. Tornou-se o meu potinho de mel: Mel de Lavanda, aroma delicado com cheiro de ternura. Já faz sete meses que Isabela, essa abelhinha fabricante de doçuras e mais doçuras, deixou em mim o mais puro gosto do amor incondicional.
                                          Bem que me diziam... vais ver quando tiveres netos!


                                        " Perguntaram-me indiscretos: o que fazes tu agora?
                                           Respondi: faço netos; é o meu ofício da hora.

                                           E é rentável tal mister? Tem vantagem pecuniária?
                                           Lucro, juros, ágio ou sequer a correção monetária?

                                           Recebo em MEL minha parte; em graça de conviver;
                                           Em toda sorte de arte, que só eles sabem fazer.

                                           Portanto, ouça e propague: netos são dons; são regalos;
                                           Não há dinheiro que pague o gosto de contemplá-los.

                                           E a criação é atribulada? Não chego a perder meu sono
                                           Isso é função delegada; eu apenas supervisiono."
                                         ( Fragmentos do Tratado Geral dos Netos - Marcondes Gadelha)

                                                                              Momento de gratidão!