Minha lista de blogs

domingo, 3 de setembro de 2017

Chateau de Castelneau - Bordeaux

O céu não estava muito azul nesse dia. A visita ao Chateau de Castelneau promete passeios na chuva acompanhada com muita paixão pelo seu proprietário: um francês muito simpático, que exala admiração e amor por cada pedacinho de terra onde as vinhas crescem.



O Chateau de Castelneau, situado no coração de L´Entre-deux-Mers (Saint-Léon, Bordeaux), é destacado tanto pela autenticidade do lugar quanto pelo seu vinho, surpreendente e refinado.


Castelneau é uma relíquia da prestigiosa história de Entre-dois-Mares. O castelo principal foi construído no século XIV. Agora, está na oitava geração da mesma família. Nesse tempo de vida poucas coisas foram modificadas procurando manter a original aparência.


O velho e bom companheiro foi recepcionista neste dia. A visita encantou a todos pela descontração e simplicidade do lugar e de seus proprietários, sem perder a elegância, que é característica dos franceses.








Os vinhos produzidos aqui levam a qualidade Bordeaux e da região de L´Entre-deux-Mers
Destaque para os rouges e Bordeaux Claret. 


O Claret é uma especialidade de Bordeaux que vem conquistando popularidade. Ele homenageia o vinho que era exportado ao Reino Unido da Idade Média e inspirou o termo inglês claret, usado para descrever o bordeaux tinto. Tem mais personalidade e vigor que um vinho rosé, mas é menos tânico que um tinto. Tem cor rosa-escura, é frutado e fácil de beber, ideal como aperitivo ou entradas e grelhados. A cepa preferida é a Merlot, mas usam-se as duas Cabernet. As peles das uvas são maceradas com o sumo por até dois dias em vez das 4 ou 5 horas usadas no rosé e às vezes o vinho é ligeiramente amadurecido em barris de carvalho (barriques). É melhor se for consumido gelado no ano seguinte à safra. Fonte: Adega Veja do Vinho, volume 2




Depois dessa imersão pela paixão ao terroir e suas vinhas resta-nos agradecer pelo privilégio de uma vivência tão encantadora. As portas estão sempre abertas para que espiemos a vida e alimentemos a alma com a simplicidade ou sofisticação de cada história. A vida nos leva a caminhos nunca antes imaginados e mesmo assim, parece que ali é o lugar da gente.
                                                                                   Au revoir...santé!

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Mãos que acariciam o vinho

        Na chegada, uma bela recepção com elementos que falavam da história desse Château.
O dia de visitação, aos redores de Bordeaux,  prometia altas sensações visuais, olfativas e gustativas: Grand Cru Classé de Graves en rouge et en Blanc. 

                                                     CHATEAU MALARTIC LAGRAVIERE



O domínio de Lagravière é conhecido desde o início da produção pela excelência em seu terroir.
Tudo começou no século XVII quando a propriedade foi comprada pela família do Conde Hippolyte de Maurès de Malartinic.


 Servindo em diversas batalhas para Reis da França, o Almirante ganhou reconhecimento especialmente pelo seu desempenho na Batalha de Quebec, em 1756. Cem anos mais tarde, as terras foram adquiridas pela Madame Arnaud Ricard, que adicionou o nome Malartic, mas manteve o sobrenome original em homenagem aos fundadores.


Assim, a vinícola manteve uma excelente reputação e em 1953 foi uma das seis propriedades a conseguir a classificação de Graves pelos vinhos branco e tinto. Hoje, quem mantém essa tradição é a família Bonnie, de origem belga.


                               Degustar esses brilhantes vinhos foi a grande vivência da viagem à Bordeaux, talvez a mais celebrada e conhecida região vinícola do mundo por ser a terra dos grandes châteaux, que em geral, fazem jus à fama de produzir vinhos muito elegantes, longevos, encorpados e classudos. Os melhores são mesmo excepcionais. A denominação Grand Cru significa vinho de grande qualidade e Gran Cru Classé são os melhores vinhos de Bordeaux. Poder degustá-los em terras próprias foi um prazer indescritível, principalmente depois de conhecer a histórica tradição e altíssima reputação. Voilà!


Impressiona ao avistar a tamanha produção desse líquido precioso com tanta qualidade e com a modernidade que se alia à natureza para produzir com excelência. Sem perder a paixão pela terra, pelas vinhas e pelo ser humano. Sim, tudo digitalizado para maior controle ao alcance da excelência.


Mas, o que vale mesmo é a paixão pela terra, o amor pelas vinhas e o encantamento com que esses ingredientes são utilizados como a melhor matéria prima para o melhor resultado de muito prazer, admiração e zelo por aquilo que a natureza oferece.


                                                          São as mãos que acariciam a terra
                                                          E respeitam a vinha.
                                                          São as mãos que afagam o verde
                                                          E cuidam do que amadurece.
                                            Só os homens sabem sentir o valor de uma única planta
                                            E, não a máquina, que colhe sem pensar no prazer que está por vir.


                                                                          " Por mais raro que seja,
                                                                             Ou mais antigo,
                                                                             Só um vinho é deveras excelente:
                                                                             Aquele que tu bebes calmamente 
                                                                             Com o teu mais velho
                                                                             E silencioso amigo"...
                                                                                                         Mario Quintana

Para os apaixonados por vinho,como eu, estar perto desse universo fantástico, vivenciando presencialmente o que os olhos, muitas vezes, apenas curtiam através de imagens em revistas, chega a ser um momento tão especial quanto degustar um Gran Cru Classé. Porque a vida vai se pondo e nesse movimento somos colocados frente a frente com  momentos, antes nem imaginados. O que fica de fato é o que se vive. São as surpresas positivas que alimentam nossa alma, tal qual uma boa taça de vinho, apreciada calmamente, na solitude em um confortável sofá ou com quem está ao nosso lado, disposto a celebrar a vida!
                                                                                                          Santè! 

Vignobles Malartic



segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Bordeaux é a nova Paris

Visitar Bordeaux era um plano de tempos. Acabou acontecendo no verão europeu desse ano.
Sabia da sua importância pelos maravilhosos vinhos que produzem. 
Não podia imaginar a tamanha beleza da cidade! Uma grande e grata surpresa.
Bordeaux, classificada como patrimônio da Unesco em 2007, é realmente muito linda!
E, muito iluminada.


   Bordeaux é a capital e a maior cidade do departamento da Gironda e da região Nova-Aquitânia, no sudoeste da França. É um porto na margem sul do rio Garona. Tem cerca de 236 mil habitantes.


Nessas duas imagens, feitas no centro de Bordeaux, o espelho-d´água reflete prédios, bondes elétricos e luzes. Muitas luzes!  Estar nessa atmosfera torna-se inesquecível o que visualiza-se na Place de la Bourse, especialmente durante a noite.


                                       A fonte Place de la Bourse é um ícone do centro da cidade.


                    Na mesma praça do espelho mágico ( Le Miroir d´eau), onde a água reflete a alegria e a liberdade de quem passa por ali, o clima diurno é completamente diferente. Porém, não menos lindo! É muito tentador tirar os sapatos e passear livremente por esse espelho, tão transparente!


A chuva miúda não atrapalha, em nada, a visitação. Pelo contrário...possibilita fazer registros com outros adornos. E, a paisagem continua encantando!



Monumento dos Girondinos está localizado na Place des Quinconces e foi erguido em memória dos girondinos. É composto por uma escultura em bronze e duas grandes fontes aos seus pés. Os Girondinos eram um grupo político da época da Revolução Francesa e o objetivo desse monumento é prestar homenagem aos políticos que foram perseguidos e executados durante a época do Reino do Terror. 


Quando você ouve a palavra "Bordeaux",  pensa...VINHO! Mas, ela é bem mais do que uma região rica na produção de vinhos. A arquitetura e gastronomia vão surpreender a todos que a visitarem.

A cidade foi restaurada com muito capricho e conta com um sistema de transporte público ultramoderno. Costumam dizer que após muitos anos de trabalho pesado, a "Bela Adormecida" despertou de seu sono...concordo!

São tantas as atrações dessa bela cidade, que fica o convite para que você programe boas vivências por lá. Aqui, mostramos apenas uma pequena parte do todo que é Bordeaux. Quando passamos por ela e vivenciamos seus encantos por alguns dias, entendemos o que os jornalistas e críticos estão dizendo:
                                                                           Bordeaux é a nova Paris!
                                                                                                           Voilà!

domingo, 30 de julho de 2017

A nossa Paris

                 
                                       " Caminhar em Paris é andar em direção a si mesmo" 
                                                                                            Júlio Cortázar









A nossa Paris é assim: sucre! 
Outras vezes é saudade! 
Mas, quase sempre é encontro com o nosso melhor.



                          " A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar".
                                                                                                         Rubem Alves

" Não havíamos marcado hora, não havíamos marcado lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares coincidiram.
 E deu-se o encontro".                                                                        Rubem Alves


E, a sua Paris, como é?
Voilà





sexta-feira, 28 de julho de 2017

Versailles, muito além do palácio

Já havia ido a Versailles com o objetivo comum como todos os que visitam o magnífíco palácio, o castelo real. De fato essa é uma visita obrigatória para quem desembarca em Paris. Símbolo da riqueza, do poder absoluto e de todos os excessos da corte francesa, o castelo impressiona em todos os sentidos.

Dessa vez, desembarquei diretamente na acolhedora casa de minha amiga Martina, brasileira de origem, francesa há 30 anos e que vive em Versailles por opção. A constatação da beleza, do sossego e do charme dessa pequena cidade fez com que eu quisesse ficar por ali, como residente. Os meus olhos admiraram os encantos desse lugar, muito além do palácio.



A natureza em todas as tonalidades colore o dia. Um gostoso café da manhã com croissant e em seguida o roteiro marcava um passeio de bicicleta pelas ruas de Versailles, em direção ao parque do castelo.


           De longe, avista-se o que as fotos revelam...o explendor de um lugar único.
           O pensamento vai longe com tantas possibilidades de imaginação.
           E, a gente se transporta a um tempo passado.


" As bacias de Versailles estão presentes em todo lado. São elas, com suas estátuas e suas fontes que precisam dos maiores trabalhos para levar a água até Versailles. André Le Nôtre, não parava de construir bacias cada vez mais belas e cada vez mais impressionantes para o rei Sol: a bacia de Latone, de Apolo e de Neptuno..." ( Bene Vale)









                                                  Diante dessa grandiosidade rendemo-nos simplesmente a contemplar.


Caminhos, labirintos, sombra, ar fresco e os pedais iam marchando com suavidade para apreciar tudo.                                           E, respirar profundamente.
                                          Inspirar...expirar...inspirar...expirar.
 Num movimento de ir e vir aproveitando o poder do agora.
                                          Porque o agora muda a todo instante.


Ao se aproximar do essencial da caminhada nosso foco encontra belezas antes nunca percebidas. Para isso basta parar um pouquinho, deixar de lado pesos e medidas e simplesmente viver o que a vida nos oferece.



Pedalando nesse cenário ficou evidente que há muitas outras belezas em Versailles, além do palácio.
A grandiosidade do castelo contrastado com a simplicidade dos bosques revelam em si as múltiplas facetas de tudo nessa vida. O belo pode estar em todo lugar e em toda situação. Se para os reis e rainhas privilégio era morar no suntuoso palácio, rodeados por serviçais e luxo, para mim, o grande privilégio foi estar com amiga de tantos anos, pedalando pelas ruelas de barro do bosque contemplando a singeleza de cada variação de verdes e azuis.
                                                          Merci, ma copine Martina.
                                                                              Voilà

domingo, 16 de julho de 2017

Nas costas, minhas escolhas

É bem provável que você já ouviu falar nessa expressão: "carregar o mundo nas costas". E, os significados podem ir além do conteúdo subjetivo da  frase. Porque carregar oportuniza escolher  entre o peso e a leveza; o antigo e o novo.
 O que você está carregando nas costas?
Já pensou sobre isso?



Passeando pelas ruas de Montparnasse ressalta aos olhos uma peça linda toda em couro, estilosa, monocromática e elegante. Aquela para ser carregada nas costas. Estava ali na vitrine pedindo para ser levada. E, sem muito esforço a compra foi efetuada.




- Linda, não é ?
- Ela é muito diferente!
-Gosto de coisas bonitas! 
 
 
Mas...preciso dela? Talvez, não! Claro que precisar de uma mochila nova, não  precisaria! 
Mas, o desejo da aquisição do novo é maior do que a necessidade. Não demora muito vem um consentimento interno que com o " eu mereço " resolveu rapidamente qualquer dúvida , caso ainda existisse. 
Feliz com a nova pequena mala, para ser carregada nas costas, a caminhada continua pelas
 ruas de Paris.



Essa vivência me fez refletir sobre as escolhas que fazemos. Pela vida afora vamos juntando coisas, sentimentos e emoções. E, ao longo do tempo também vão ficando velhas, desgastadas, ultrapassadas ou pesadas. Ou, simplesmente se faz necessário vivenciar novas experiências, abraçar novos sentimentos ou sentir o novo bater em nosso peito, pois afinal já não somos mais os mesmos de tempos atrás. O que fez sentido lá, pode não mais fazer sentido aqui e agora. O mais importante nisso tudo é ter a clareza e a oportunidade de escolher sempre. Experimentar  e optar pelo hábito do desapego pode fazer muita diferença em nossa vida.
É verdade que isso virou moda. Desapegar-se é politicamente correto nos dias de hoje. Mas, venha cá...desapegar-se de sentimentos, sonhos e emoções cravados no coração,
 ahhhh! isso não é tão fácil assim!
Com o tempo vamos aprendendo a ser mais seletivos com nossas escolhas. Já fica bem mais fácil deixar para atrás o que não nos serve, o que não combina com nossos objetivos de vida e com sonhos a serem realizados.

Então, vamos ao bom senso: malas velhas, sem alças e sem rodinhas...descarte, já !
 Tudo o que passou e nada de bom ficou não vale guardar...Fica apenas a experiência e a aprendizagem.
Precisamos de malas novas, modernas e leves para acomodar o que ficou de bom das escolhas passadas e ir colocando momentos novos que nos enriquecem, nos aquecem, nos fazem sentir vivos e mais felizes.


Ah! Eu insisti para comprares uma mala nova?! 
Seguramente irás precisar dela para colocar novas e lindas escolhas!
 
 
 
 
" Sou apego pelo que vale a pena e
desapego pelo que não quer valer".
-Clarice Lispector-
 
 






sábado, 27 de maio de 2017

O pão nosso de cada dia


Dai-nos hoje e sempre!


" É estimado que o pão tenha surgido há 12 mil anos, na Mesopotâmia, juntamente com o cultivo do trigo. Era feito de farinha misturada com o fruto do carvalho. Os primeiros pães eram achatados, duros, secos e muito amargos." (wikipedia)


" Atualmente, o pão é o alimento mais popular do mundo, sendo produzido em quase todas as sociedades. Entretanto, ele não foi feito sempre da mesma forma e nem teve sempre o mesmo aspecto. Ao longo do tempo, sua produção foi se alterando até chegar ao que nós temos nos dias de hoje." (Tales Pinto).


Mesmo sabendo, através da história, que o pão chegou a ser um dos motivos de eclosão da Revolução Francesa e que a severa queda na produção do cereal tornou o alimento caro e escasso, fato que levou a população francesa a se revoltar e contribuir fortemente para a queda do rei Luís XVI, ouso atualizar o tempo e apresentar para vocês essa eclosão de aroma e sabor, bem ali...em Rio dos Cedros, na Região dos Lagos, em nossa Santa e bela Catarina.


O método rústico traz em si a personalidade em seu tempo, da tradição, do natural tal qual na época de nossos avós. Talvez muitos de vocês remeterão seus pensamentos para a ida até a casa da família que morava no " interior". O forno a lenha, muitas vezes construído de forma improvisada no rancho que ficava atrás ou ao lado, da casa principal. Gosto de olhar os detalhes dessa foto, feita por mim, porque a singeleza me emociona. E, as lembranças chegam. Remetem-me aos tempos em que minha mãe fazia pães, num forno muito parecido com esse. E, deixava-nos fazer pequenos pãezinhos em forminhas, que eram tampas de latas...e querem saber? aquilo era a maior das alegrias que ela poderia nos dar!


" A poesia é sempre um ato de paz. O poeta nasce da paz como o pão nasce da farinha."
(Pablo Neruda)
 
Acordar cedo para amassar o pão, vê-lo crescer e transformá-lo no poder de saciar a fome e provocar prazer é um ato de paz cheio de poesia. Os encantos da vida estão nas pequenas coisas.
São poetas aqueles que fazem o pão nosso de cada dia!
 

 
Olhem bem para essa beleza!
Fechem os olhos e sintam o cheirinho do pão fresco saído do forno.
Isso é poético!
Dos deuses!
 

                                   " No caso de todos os outros sentidos, pensamos antes de reagir,
                     mas no caso do olfato, o cérebro reage antes de pensarmos." ( Lindstrom)



Como ficar na cama até muito tarde, quando lá fora esse visual está todinho pronto para o dia começar?! Todos os finais de semana o convite é feito e ele aceita: acorda cedinho, abre as janelas da casa, molha as plantas e começa a preparar o café da manhã. Sim! Isso é com ele. Estou falando de Ricardo.  Prepara tudo, da arrumação da mesa `a salada de fruta, que não sei como consegue, mas é uma obra de arte a forma como pica todas as frutas...do mesmo tamanho! Diz que é a terapia dele. Acredito!

Naquela manhã, resolvi acompanhá-lo. Acordei cedinho, levantei e dei uma de assistente do preparador oficial do café da manhã. Pouca coisa para fazer porque já estava tudo pronto.
Próxima missão: comprar pão! " Vou te levar na fonte", disse ele.

O visual que nos acompanhou até a " padaria" era esse acima. E, no caminho foi me contando peculiaridades da região e dos alimentos frescos que consomem a cada final de semana, quando sobem a serra.

"E, aí está a fonte! Chegamos!"
Nem precisava me dizer...o cheirinho inconfundível já tinha tomado conta de mim!


Dedico essa postagem, cheia de aromas e lembranças, aos meus primos,
Ricardo e Cianne. por tão linda acolhida naquele final de semana e por tantas vivências
 que tocaram o essencial do meu coração.
 
Sim! Ele faz o café da manhã e busca o pão na fonte todos os finais de semana!
Au revoir!